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28.2.04

Top+ da Arquitectura. 

Seguindo o exemplo do post do 1979 que foi um sucesso no número de comentários, embora de qualidade duvidosa, mas que aconselho a ler, o GANG, na sua vocação arquitectónica, tem o orgulho de apresentar:

O TOP 5 dos ARQUITECTOS!

1. Rem Koolhaas
2. Manuel Vicente
3. Herzog e amiga
4. Tomás Taveira
5. Mário Sua Kay

Espero não me vir a arrepender!
La Vache

27.2.04

Morcego importunado  

Acordei às 8 da manhã com um berbequim no andar de baixo.
Levantei-me.
Refilei comigo e com as paredes.
Pus o ropão e sai de casa.
-Ouça lá ó meu anormal, será que não percebeu que são horas de dormir?
- Ouça lá ó meu anormal será que não percebeste que já são 8 e que são horas de acordar?
Afinal ele tinha razão!
Malditos humanos.
m'A

Desafio: 

Será que o nosso Céu sobre Lisboa podia acrecentar um pouquito as resoluções das suas imagens para ver se isto nos dá para uns photoshopezinhos?
A semana passada dei por mim a colorir um projecto no Campo Grande com um Céu de Moscovo…
Devia ter vergonha!!!
m'A

Fumar e não viajar é outra forma de me amar 

- Quanto é que fumas?
Um maço por dia!
- E em tua casa?
O meu pai fuma dois, a minha mãe um e meio e a minha irmã um também.
Tudo somado, são quase 5 maços por dia, 150 por mês, 3.600euros por ano.
- Xiça, isso dava para ir a família toda, uma vez por ano para os Açores!!!
Pois dava, mas se assim fosse, o mais provável era eu perguntar-me :
«porque não fumar um maçozinho por dia em vez de aqui voltar todos os anos?!?!»
m'A

Delinquente 

Não é novidade para mim.
O Lutz também é um GANGster.
Também fuma charros.
E também devia ser preso ou proibido.
Quando um dia, vivermos enfim num mundo sem maldade, também não haverá a blogosfera.
m'A

I'm back, to let you know, that I can really shake it down! 

Dias de abstinência.
De poiso em poiso, de trabalho em trabalho, foram dias de ‘fechar portas’.
Entregas, contratos, alinhavar projectos, resolver ideias e dar mais um passo atrás.
Agora regresso, mas confesso que esmorecido e desertor.
Adiante….
m'A

21.2.04

Soneto para a estátua do Sá Ovelha. 

"Foi Santana Lopes quem decidiu substituir o polémico conjunto escultórico que ele próprio inaugurara em 1991, na qualidade de secretário de Estado da Cultura. O escultor diz não saber exactamente quanto custará Sá Carneiro à autarquia, mas avisa que não sairá barato. O seu valor ultrapassará os cem mil euros." in Público.



Começou quando o avião caiu.
Só sobrou a cabeça,
ela está no Areeiro,
para que a gente não esqueça.

Agora que se encontrou o corpo,
mais uma homenagem à Santana,
sacam-se uns euros do bolso
para enaltecer este drama.

a estátua velha é um horror,
e a nova é ainda pior,
mas mais feio é o Carneiro.

A culpa não é do escultor,
é de quem gasta com primor,
numa nova estátua dinheiro.

La Vache.

Um cretino com razão e um ainda mais cretino! 

"É uma estupidez!". É assim que o catedrático em Transportes, José Manuel Viegas, classifica a possibilidade avançada pelo arquitecto Norman Foster de acabar com a via férrea entre o Cais do Sodré e Santos a fim de reabilitar a zona ribeirinha.
La Vache.

17.2.04

Arbeit macht frei 

(Work makes one free)

O trabalho faz-nos livres.

Não se riam, não é uma piada.

Estes é que são uns preguiçosos!

La Vache.

Quando o m'A está ausente, isto descamba. 

Who can take a sunrise, sprinkle it with dew
Cover it with choc'late and a miracle or two
The Candy Man, oh the Candy Man can
The Candy Man can 'cause he mixes it with love
And makes the world taste good.

Saudades da Nostalgia!

La Vache.

16.2.04

Scarlett, tens tabaco? 

Não só sou gira.

Como também fumo!

La Vache.

U Taba Cu Mata. 


O tabaco acalma, no entanto acabou-se-me faz algum tempo, já roubei uns do meu pai, mas agora também esses acabaram. Quando era novo ia a um restaurante aqui em alvalade que já não existe, chamava-se Pirilampo, tinha um toldo azul, o dono morreu com cancro no pulmão, nunca fumou um cigarrito sequer. Era fumador passivo, e eu não sinto culpa, também na altura não fumava, mas mesmo que fumasse, não a teria, e o restaurante dava lucro. Nos EUA, que nunca são exemplo, dão-se grandes indeminizações, só consigo ter pena da philip morris. O record está em 3 vezes o custo total da expo, o sortudo morreu rico, ainda mais sortudos são os filhos do gajo. Com filhos de ministros não fumei, nem erva nem tabaco, mas fumei-os com filhos de deputados, tanto de esquerda como de direita, e espero que continue assim, que ninguem morra entretanto. como o meu ex vizinho do primeiro andar, com cancro do estomago, comia muito piripiri, devia ser proibido.

Devia ser proibido proibir. Devia ser proibido governar. Deviamos proibir que nos governassem, faz-nos mal.

La Vache

12.2.04

Madem-me prender! 

Sobre o post anterior faltou acrescentar algo:
m'A = André Albuquerque
B.I. = 11710335

O Retrocesso Civilizacional 

O Estado,
Quer-me proibir de fumar no emprego.
Quer novamente fazer-me subir o preço que pago por cada um dos cigarros que fumo.
Quer punir os toxicodependentes apenas por isso mesmo. Por serem quem são.
Quer proibir a compra de bebidas alcoólicas mesmo quando eu siga no lugar do morto, num dos três lugares de trás ou numa qualquer camioneta de carriera.
Quer-me proibir de beber uma cervejinha ao lanche quando vou à universidade.
Quer-me fazer crer que eu sou um delinquente.

É a vitória do Estado regulador, fundamentalista, puritano, dos bonzinhos, dos mimados, dos ricos, dos tiranos, dos saudáveis e dos iluminados.
É a vitória da vontade do Estado perante a autonomia de cada cidadão em decidir por si próprio.
É a vitória da pior das direitas. A ideologicamente conservadora e conservadoramente ideológica.
Aplaudido por muitos saudosistas das privações de liberdade fascistas, que julgam ser seu direito impôr aos outros a sua própria vontade.
O supremo retrocesso civilacional.

A todos eles, a minha genuína repulsa
A todos eles, que Deus (ou outro qualquer) lhes perdoe
A todos eles, do fundo do coração e sem qualquer razão um grande Vão à Merda!

P.S. – Se estou mal mudo-me. Podem crer que me mudo. Emigro.
Entretanto, se os posso vencer, não me juntarei a eles.
P.S.(2) – Eu, sou pecador e sou confesso: Registe-se que fumo CHARROS com filhos de Ministros, secretários de Estado, presidentes de Empresas e de Câmaras Municipais, Deputados e mesmo Sozinho.
Se quiserem digo nomes, mas não me calo.
Aos pais desses meninos: Se não têm paz em casa não queiram tê-la no mundo!
m'A

VIVER MATA. Proibir também devia... 

Nem sempre conseguimos estar de acordo com os nossos amigos.
LAC diz que tem saudade de Clara Ferreira Alves, eu tenho saudades de tantas outras coisas que seguramente não ela.
Sobre o estado regulador, assina esta semana um artigo de ideologia GANG, e do
VIVER PODE PROVOCAR A MORTE LENTA E DOLOROSA.

It goes like this:
« Muita e óptima literatura foi produzida com cinza no papel, fumo nos pulmões e vapores etílicos na cabeça.
No novo tempo, estes autores estariam na clandestinidade condenada a uma vida estúpida e saudável.
Eu acho que devemos ser livres de nos matar do modo que quisermos e durante o tempo que quisermos. »

m'A

Formosinho Sanches 

Só há pouco soube que morreu...
Um após o outro, os senhores da geração dos mestres vão-nos abandonando.

Resta pouco tempo para aprender TUDO...
e Resta também saber se queremos.

Eu quero...
e Eu avisei.
m'A
Com uma infância assim, não admira que eu me tenha tornado também um ser nocturno incorrigível. Há pelo menos vinte anos que não me deito antes das três da manhã e que não adormeço sem ler um livro. Viver comigo não é fácil, até porque eu jamais fui capaz de respondr à mais lógica das perguntas: «Mas o que é que tu ficas a fazer de noite?»
Realmente, não sei dizer ao certo. Suponho que o facto de ter aprendido a distinguir todos os ruídos da noite, de conhecer o som dos animais nocturnos, de me ter tornado viciado no silêncio da noite, de saber localizar as estrelas do céu não seja resposta suficiente. Há qualquer coisa mais para além disso, qualquer coisa de indefenível e única. Há um mundo diurno e um mundo nocturno. Este é o reino da luz e das sombras, um mundo de silêncio, uma utilidade e por onde se sente deslizar esse «lento círculo azul do tempo».
De noite morre-se mais devagar.


no miradoro da Cruz Vermelha... 

Nunca vi Lisboa tão branca. De noite.
m'A

11.2.04

Praça de São Foster 

No substrato, diz-se isto:

«Se for em frente (o que implica alterar o PDM), a obra estará pronta em 2007»
não deveria ser uma excepção, a alteração do PDM? É que por tudo e por nada, ela agora é necessária....(e parece que legítima...) eu não sei.... só estou a perguntar....

«Foster pretende que os 65 mil metros quadrados de área a desenvolver sejam, quase exclusivamente, dedicados à arte e ao design, naquilo que chama o novo centro cultural de Lisboa, aberto 24 horas por dia.»
Que bonito! Que visionário! O arquitecto sonha a obra nasce! Para mim, é disto que se trata:
BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ BLÁ

É capaz de ser interessante dar uma olhadinha aos comentários que este tal post do substrato suscitou:...
1.essa ideia da torre é k n me agrada muito.....anónimo

2.K mania de fazer torres, pá... Ainda por cima em zona de cheias, à beira do rio...n sei, não!Klank

3.É capaz de ficar giro. E gosto da ideia de estar sempre aberto...
Mas akela Torre é prakê?!Jimbras

4.pah...é "po ingles ver"! :DInês

5.Os arquitectos preferem fazer arranha-céus em Lx pk se vê logo do avião e toda a gente vai dizer: olha foi o n sei qtos!!
lol. E nós é k nos lixamos! :( Kátia

Especulação. Provavelmente Especulação. 

Ó meu caro Lutz, não duvides da força do mercado!

As arquitectura está na moda e os grandes que a preconizam são TOP-StARS.
Sem que sejam culpados por isso, são hoje utilizados para fazer legitimar especulações imobiliárias.
Mas penso, acreditem, que hoje o tal Star System até já se aproveita disso para abordar por vezes com leviandade os projectos a que se entrega.
Pergunto a Lutz:
Será que Norman Foster sabe(ou lhe interessa), como todos nós sabemos, que Lisboa tem uma praça magnífica que é completamente inútil?
Será que Álvaro Siza tem assim tanto que achar que as suas Torres se impõem ou não será legítimo hoje ao seu estatuto que aproveite uma oprtunidade também para se notabilizar
Será que a Renzo Piano (ou o promotor que o sustenta) interessa mais construir o seu empreendimento com o mar da Prata em frente ou com a Av.Infante D.Henrique?

A questão é que quando estes nomes Máximos e Irredutíveis propõem o que propôem (como é que se escreve isto afinal?!?!!?), nós logo imaginos que as eventuais 'desvios' ao que esperávamos, se ficam a dever à Lucidez e Magia inequívoca das suas mentes. Pode ser verdade. Mas também pode ser que alguns interesses não tão prioritários para a cidade se escondam por detrás dessas propostas, ou não?

Lutz sugere-me que me não olvide da sabedoria do mercado;
Eu penso, antes de mais, que hoje em Portugal é absolutamente mais importante o planeamento e o urbanismo, que a arquitectura pontualmente considerada. E que não havendo os planos necessários, a sabedoria do mercado para cada caso pontual, só por mera casualidade se equivaleria ao bem comum.
Polémico? Não!
Embaraçoso e Confrangedor.
m'A

10.2.04

Especulação. Simplesmente Especulação. 

Não consigo passar uma semana seguida sem ouvir alguém perguntar o que fazer com o Terreiro do Paço, com a conversa do costume: «É tão bonita como as mais bonitas do Mundo mas não acontece lá nada. O que fazer?O que fazer?

A Norman Foster pediram um edifício qualquer. Ele achou que um qualquer era pouco e propõe um Praça de S.Marcos. Bravo! Ficamos com duas praças sem saber o que lhes fazer. Bravo! Pede ainda umas pontes para a outra banda e uma torrezinha sineira.
Já Renzo Piano, no lado oposto, no Cabo Ruivo, também achou que resolver o projecto era pouco e toca de propôr que se desvie a Av.Infante D.Henrique.
A Álvaro Siza, também junto ao rio, pediram-lhe um projecto de cércea de 8 pisos. Também lhe pareceu pouco e toca de espetar então 3 esbeltos alfinetes.
São ricos, famosos e competentes (se calhar vou fazer de parvo), mas consintam-me a pergunta: SERÁ QUE DAVA PARA FAZER SIMPLESMENTE O PROJECTO. PONTO?
m'A
P.S. - Para quando uma Unidade Operativa de Planeamento Específica para os terrenos no Aterro Ribeirinho que não pertencem à Admnistração do Porto de Lisboa??)

Sobre Mobilidade, hoje basta um parágrafo 

Por apenas 4.000 euros per capita, O futuro chega hoje a Portugal!!!

Será que interessa mesmo saber de que Wing são os Arquitectos? 

Sobre o tal Koolhaas de que sempre se fala(que antes de ser arquitecto trabalhou em cinema), lembro-me sempre desta sua resposta à pergunta
QUAL A DIFERENÇA ENTRE TRABALHAR EM CINEMA OU TRABALHAR EM ARQUITECTURA?
R.K. - Em cinema escolhemos nós o cliente, em arquitectura é o cliente que nos escolhe a nós.
...talvez isto ajude...
m'A

Why so many good left-wing architects 

Querida Maximiliana:
Costumo ter um pensamento de esquerda e sou arquitecto; não queria arranjar inimigos nem por causa da primeira nem pela segunda, mas agora dizem-me que os de esquerda já morreram, ou que não respondo ao cliente, ou que preciso então de um mecenas. Só queria ser feliz e agora parece que deu nisto.
Será que fiz alguma coisa de mal?
Que hei-de fazer?
o seu amorzeco mestr'André

Guta Moura Guedes 

Há palavras para esta mulher, eu não as tenho. Apenas a vontade de as ter…
vou ficando com o sorriso que o seu nome esboça nos rostos de amigos.
Isso, garanto, não é pouco.
.G

I miss you
But i haven't met you yet
So special
But it hasn't happened yet
You are gorgeous
But i haven't met you yet
I remember
But it hasn't happened yet

(…)
I'm so impatient
I can't stand the wait

(…)
Who are you?
Bjork, I Miss You

9.2.04

Surpresa, Portugal afinal também sabe! 

Pois é.
Foi com grande surpresa que encontrei agora, e de pronto vos mostro com orgulho, com link e tudo, os novos estádios do euro.
Não vale a pena comprarem revistas, edições especiais, nada, basta escolher o estádio e clickar onde diz panorâmica.
O site do euro é este.
A mim surpreendeu-me, não esperava tanto dos tugas!
La Vache

a não perder 

É sempre um pouco ingrato, postar nos fins de semana.
São poucos os que nos lêem e ainda menos os que nos respondem.
Contudo, este fim de semana foi uma excepção: da diarreia súbita (e fresca!) da Vache(já aqui em baixo) ao post sobre D.Urraca (quer muitos consideraram ser uma simples brincadeira mas que é absolutamente rigorosa), muito se escreveu neste blog. Sem presunções, fica a sugestão de fazer um scroll-zinho e ir lá abixo dar uma espreita.
m'A

António Belém Lima 

Há uns anos atrás, um grupo considerável de arquitectos, hoje bem conhecidos, decidiu partir para o interior do país em vez de tentar a sua sorte na capital.
Entre eles, Manuel Graça Dias, João Luís Carrilho da Graça e António Belém Lima foram alguns dos mais notáveis.
Entre perseguir as obligarquias da capital ou apostar cedo nos factores C’s e outros que tais, estes arquitectos foram para o país real, aprender o cliente real, o construtor real e a construção real, a estética real, a terra e o chão real, e perseguir o sonho que a todos assiste de se vir a tornar um bom arquitecto.
Mas a partir da base da pirâmide…
Enquanto os outros que aliás, sempre haviam tido um estatuto particular, como Graça Dias, regressaram entretanto à ‘civilização’; António Belém Lima, ficou-se e foi consolidando com o tempo, aquilo que todos os que o iam acompanhando há muito diziam: que Belém Lima e o seu trabalho junto de outros digníssimos arquitectos (Graça Campolargo, Albino Teixeira, Carlos Batista e Ricardo Santelmo) sob o atelier de nome PIOLEDO preconiza, actualmente, uma das melhores, mais competentes e pragmáticas arquitecturas de referência portuguesas.

No passado dia 5, a Associação de Críticos de Arte, atribuiu o prémio de 2003, a este arquitecto, ao que ele, obviamente orgulhoso, simplesmente respondeu:
«É o reconhecimento de uma arquitectura que se afastou da ética drástica do moderno e se tentou aproximar das pessoas, sem cair no populismo»
Pois é.
m'A

Epiderme 

Gosto de Pedro Jordão.
-Da clarividência, sustentação, e pertinência do seu discurso
-Da alternância entre temas consensuais, teóricos e biográficos (lembro as palavras concedidas a Lebbeus Woods, que tive o prazer de conhecer no ano transacto, e que é para mim, um nome fundamental na história contemporânea da arquitectura, cuja biografia está hoje ainda por explorar e sobejamente desconhecido em Portugal)
-Da pachorra para nos aturar sem nunca se empolgar ou disparatar como por vezes acontece connosco
Gosto sobretudo
-Da serenidade com que responde a provocações amigas deste GANG e como lhes responde sempre com Féher-Play.
-Dos blogues que tem vindo a partilhar. Cada um deles, uma lufada de frescura a não perder...
Abraço (atrasado) de Domingo, nas margens do Tejo para as do Jordão...
m'A

8.2.04

Um enigma. 

Revelo hoje, em primeiríssima mão, uma conversa, até hoje mantida no segredo dos deuses, conversa entre um idiota, e um génio. Os nomes não são revelados para minha própria protecção, refiro-me a eles com indivíduo A e B.

A: - Porque é que a arquitectura está na moda?
B: - A arquitectura não está na moda.
A: - Ai isso é que está!
B: - Já lhe disse que não está.
A: - Mas está parvo? Se eu digo que está, eu tenho razão.
B: - Isso é que não.
A: - Mas você já viu a quantidade de blogs de arquitectura que há por ai?
B: - E você, já viu a qualidade?
A: - Pois é, talvez não esteja assim tanto na moda!
B: - Pelo contrário, dou-lhe razão, está claramente na moda.

Qual é o génio? E quem é o idiota?
La Vache.

Meias tintas. 

Nos sonhos, pelo menos nos meus, há sempre uma sensação de ausência, e isto só me incomoda porque me lembro deles.

Será que lhes falta o fim?

Acaba o sono antes do sonho.

Tudo o que fazemos fica a meio. Para quê começar.

Este texto está acabado.

A desculpa do costume.

La Vache.

Scarlett 


Hoje vi-te, mas ainda não acredito.
La Vache.

Não me deletem. 

A indecisão.
Não tenho nada a dizer e espero que algo apareça, ora escrevo ora apago, o computador tem destas coisas, quando se escreve no papel vê-se a indecisão, gatafunhos riscados, por vezes parágrafos, ou inícios deles, tornam-se folhas riscadas com frustração. E sem copy nem paste fazem-se setas a apontar coisas já escritas, e alguns, ou mais organizados ou mais perfeccionistas, usam recortes ou fotocopias.
Mas aqui não fica nada.
Ficaria uma riscadela, mas ficou um delete.

A decisão da dúvida.
Se uma folha riscada é um principio sem fim à vista, uma folha deletada é um nada. É uma folha minimalista, como uma tela em branco, ou um filme a preto. É arte. E quem é que vive na arte? Quem é que suporta uma sala com um só sofá sem costas que magoa o rabo? Quem é que vive num jogo de luz e sombra, enaltecido pela pureza e nobreza do branco, no monumentalismo do vazio?

O vazio da dúvida.
O vazio está in. O cheio está out. É óbvio. Se mandarmos fora (out) o que enche fica vazio lá dentro (in). Isto é novamente arte! Jogos de palavras, luzes e sombras.
Mas o vazio é maior, pois ninguém vive voluntariamente nas solitárias das prisões à antiga. Estas ainda mais minimalistas pois nem luz têm, nem janelas, só porta e sombra.
É uma arquitectura tão forte!

Encher o vazio.
Como é que o ego se (pre)enche com tanto vazio? O que é que leva alguém a esvaziar o bolso para ter mais vazio?
O que nos leva a nós arquitectos a esvaziar os bolsos com revistas ou livros, cujas páginas nos mostram continuamente os mesmos vazios, embora com formas diferentes?
Estas páginas eu risco-as, desenho bigodes nas falsas pessoas-estátua que lá vivem nas fotografias, risco os textos que citam filósofos, rasgo as folhas para fazer aviõezinhos e origamis, e recorto a capa para fazer bases para copos.

A decisão.
Se a revista fosse um ficheiro num computador, fazia um delete e o vazio era o mesmo.
Mas como não são, tento enche-las, usa-las, estraga-las talvez! Tal qual como faço na minha casa. E talvez na minha vida.
La Vache.

7.2.04

Urros e Urracas; Bush e Bushardas 

O Expresso hoje explica-se.
Acrescenta umas letras mais ao que o GANG já havia começado:

«D. Urraca e George Bush
«De braço ao pescoço, em representação da redacção da «Única», GENTE faz penitência por uma facada na História pátria dada na edição da semana passada. Na reportagem «De volta às Raízes» abordava-se a ascendência lusa de George W.Bush, o Presidente dos EUA, e escrevia-se que o clã Bush «descende de D.Urraca, mãe do fundador de Portugal» Erro digno da palmatoada! É dos livros que era uma família disfuncional, mas a mãe de D.Afonso Henriques foi D.Teresa! A Urraca que foi trisavó da princesa Isabel de Inglaterra e acabou por ter descendência na Casa Branca era, isso sim, a filha bastarda de D.Afonso Henriques e Infanta de Portugal. As nosssas desculpas aos leitores, a D.Urraca e George Bush. Por esta ordem.»


Acrescenta o sabichão GANGster m’A - EU!:

Tudo terá começado ainda antes com Rui Dias de Bivar (Cid), o Campeador, nobre da corte do rei de Leão e Castela que convocava os nobre europeus a virem combater os muçulmanos na Península Ibérica ao serviço do rei Afonso VI, e que foi por tal o primeiro despoletador da nação portuguesa. Este nobre Nobre tinha por esposa uma tal de D.Urraca. A primeira de muitas. Vejamos:

1ª D.Urraca, como bem corrige hoje o Expresso era FILHA BASTARDA(...?) de Afonso Henriques, fruto de relação deste com Rainha D.Mafalda (portanto rainha, portanto legítima) e não era portanto bastarda... (Expresso, Expresso... por onde andas e quem te escreve?!?!) Mais tarde, foi rainha de Leão pelo seu casamento com Fernando II. A ser esta a Urraca que o perspicaz genealogista se refere, George Bush seria hoje a metáfora irónica da simbiose entre Portugal e Espanha que tanto pretendem os nossos Mellos de hoje...

2ª D.Urraca, FILHA BASTARDA, afinal também existe! Pouco interessa... fruto de queca semi-real com Afonso Henriques com uma tal de D.Elvira de Gálter, casou com um neto de Egas Moniz, o fiel aio real... Seria mesmo esta a Urraca que o Expresso em tão extenso artigo prentende legitimar???

3ª D.Urraca, como bem lembrou Pedro Jordão, era TIA de Afonso Henriques, irmã de D.Teresa, casada com D.Raimundo e sendo filha primogénita de D.Afonso VI, rei de Leão e Castela, herdou deste o trono (em 1109) e foi até à sua morte (em 1126), a Rainha da Selva e desse Castelo.

(de) D.Urraca, IRMÃ de D.Afonso Henriques, pouco de sabe. A sua descendência é para este GANG obscura. Casou com Sancho Nunes e sua irmã Teresa (mais uma irmã de Afonso Henriques) casou com Vermude Peres de Trava. Ou vice-versa. É aqui que nos perdemos. Penitência...

5ª Em dados a que o GANG teve acesso, de fontes que não pode revelar terão ainda havido à data cerca de 317 Urracas sem descendência.

Assim sendo, é de somenos importância qual genealógica D.Urraca que pariu George Bush, e sim a proveniência do sémen que a tenha engravidado.

Da primeira(a FILHA) se infere que George W.Bush (por ironias Expressas, sempre este e não o seu pai), a ser descendente desta tem tanto de sangue espanhol como português; estivesse ele vivo em 1383 - poderia ter, com os seus amigos aliados resolvido em dois tempos a batalha de Aljubarrota. Com ou sem padeira.

Da segunda(a BASTARDA), se infere que a ser verdade, George Bush é, também ele, por sangue, um bastardo.; não seria portanto necessário tão longa dissertação para tão lógica conclusão;

Da terceira(a TIA), se infere que, como nunca foi portuguesa, não poderá logicamente dar descendência portuguesa a ninguém... E portanto George Bush, pelo menos por esta via, não terá ascendência portuguesa. Uffffff....

Da quarta(a IRMÃ a que o gang perdeu o rasto), se infere que George Bush é, de ascendência obscura. A ser esta a Urraca, se infere ainda algo mais sobre George Bush Pai. Obscuro....

Da quinta(317 Urracas perdidas na época medieval sem ninguém que as prenhasse), se depreenderia que George W.Bush não existe, o que a ser verdade ninguém verdadeiramente lamentaria...

É de destaque mais uma curiosidade: fica por A+B comprovado que não foi Cristovão Colombo que descobriu a América. Antes, muito antes, 900 anos antes, já as nossas Urracas andavam a plantar as sementes que haveriam de colher as tempestades; andavam serena e medievalmente a descobrir com sangue e suor a América da Liberdade.

E esta hein?
m'A

O pecado do fumador 

Acordo cedo este Sábado.
A noite foi calma.
Poucos charros.
Poucos copos.
Acordo fresco e saudável.

Saio de casa. compro o Expresso e estaciono no café da esquina.
Folheio os 2,5 kilos sem me deter em nenhum.
Abro a Única. De trás para a frente.
Paro no início (que é o fim para quem a leia correctamente, o que não recomendo).
na Pluma.
Essa Caprichosa sedutora.

Leio, concordo, sorrio, entusiasmo-me.
Interrompo, um gole de café e um cigarro.
Continuo, concordo, subscrevo, adoro-a.

Tivera eu a benção que lhe foi concedida,
ou a sua distinta categoria,
e haveria escrito eu,
o que Hoje e sempre,
ela escreve

Clara?
Clarinha?
quero acordar contigo ao meu lado...
m'A

6.2.04

Santana a presidente dos pastorinhos!!! 

Ele é Casinos,
Ele é Feiras Populares,
Ele é Túneis,
Ele é Parques Infantis,
Ele é Livros da Cultura,
Ele é Parque Mayers

Ele é o nosso homem do Show bizz
Ele é o nosso grande
Enorme
Insuperável
Inantingível
SANTANA LOPES

Bravo!
Srs. e Sras., se fazem favor, um aplauso!
Bota comentário, bota comentário, aplaude, aplaude, elogia, elogia, elogia.
Menos de 200 comentários a este post, é pouco para este Altíssimo Soberano!

Sugestão GANGster
Vamos todos juntos fazer um baixo assinado para elevar Santana Lopes a pastorinho de Fátima...
m'A

Arrumadores de Carros da Assembleia (II) 

Há uns tempos, escrevi este post.
Ninguém ligou porque compreensivelmente não me fiz compreender.
Hoje, reparei que alguém ligou e mostra, para que se veja, claramente visto, que afinal a realidade é mesmo mais incrível que a ficção!
m'A

5.2.04

Catálogo mamário digital 

São 6 da manhã e provavelmente já devia ter ido dormir há muito...
Vou experimentar deitar-me e ver se o sono chega...
Só para disparatar, antes de me recolher, sugiro isto
m'A

meio Arrependimento 

Há uns dias, transcrevi meio céptico, meio irónico e meio provocador (e vamos já em três meios o que não deixa de ser meio transcendental) um post sobre a votação de Mourinho para melhor treinador europeu.
Não sei se terá sido pelo GANG que o NoNameBoys Blog, soube deste meio embuste; um facto é que um comentário de FMA sobre este tema, lançou a discussão acesa (e parece-me que não tão serena) com TMM e GPT.

Adoro ver futebol, mas odeio comentá-lo pois sempre me parece que não existe no seu debate um único valor absoluto de referência que permita da sua discussão chegar a uma qualquer conclusão. Prometo que foi a ultima vez que postei algo da bola. A partir daqui, se postar os pontapés na bola, invento uma assinatura nova para me esconder cobardemente da celeuma que sempre gera.

O NoNameBoys Blog é um bom blog. Quando fala de arquitectura. Compreensivelmente, de acordo com o que já disse, não me agrada tanto quando fala de futebol.
Também nunca escondi que prefiro FMA, prefiro menos GPT e que evito regularmente TMM quando escreve entusiasmado o que descamba habitualmente em fórró acusatório. Não pretendo colocar-me debaixo de fogo cruzado que não é o meu mas quero confessar o desagrado que tenho sentido pelo estilo inflamado que este blog tem adoptado nos últimos dias.
E pronto, meio desconfortável (e vamos em 7 meios, qual diabo dissimulado), me despeço no fim.
m’A

Nota Final de Trimestre: DOZE  

O meu mais acérrimo detractor (novamente a Lapiseira....) classifica-me com um 12.
Esquece-se, no entanto de informar, a quem que como eu não tenha sido dispensado da Oral para quando fica agendada a próxima avaliação e quais os elementos a entregar.
Como o distinto pedagogo tem falado em vingança e em palha, e eu me considero um aplicado colegial, sugiro a vossa excelentíssima a minha própria avalliação:

Entregar em cortes, plantas e alçados um projecto para uma possilga.
Solicitar a dispensa da memória descritiva por traumas indisfarçáveis quanto à minha habilidade d’escrita.
Queira aceitar a minha proposta e poupar-me a mais envergonhadas reflexões.
O seu aluno preferido,
m’A´
P.S. – perdoe-me a desfassatez mas porque inçiste o Sr.Professôr em escrever o à de lugar com assento ao contrario? Será que poço continuar a escrevelo há minha maneira?

Artificie do Artifício (fogo de) 

Desde Event Cities, este é sem duvida um dos meus arquitectos de eleição e ao qual concedo ciclicamente, muita da minha atenção.
Emigrou-se para os Estates, a convite da Columbia University e, o seu percurso como arquitecto tem sido menos publicitado na Europa. Felizmente, a Internet não conhece fronteiras e, Bernard Tschumi fica mesmo aqui, à distância de um click
m'A

4.2.04

Três, o número que o GANG fez.  

O GANG faz hoje 3 meses.
O saber popular lá vai adiantando que este é o tempo médio de vida esperado para um blogue...
É portanto o nosso Debute. A partir de hoje já podemos fumar charros, ir às putas, comprar a Plaibói, um maço de cigarros ou uma garrafa de Uisqui, podemos votar ou assinar as cartas da escola.
Pela puberdade que agora termina, um obrigado grande a todos aqueles que já postaram neste Blog (mCC, .G, SG, La Vache, JMud, El P, Gonçalo Oliveira, Joana Couto, SugarFree, Tio Xavier, ma e Pipo)e ainda àqueles blogues amigos que têm feito desta 'aventura' uma muito mais enriquecedora experiência (OProjecto, Céu Sobre Lisboa, Quase em Português, ALapiseira(nunca se sabe bem a que enderço o linkar...), FMA & os outros, Epiderme, lisboarder, Silêncio em Palavras, Cinco e, ora pois, está Claro!)
Merci beaucoup, thank you, a.u.b, gracias, gracie, spaciba e um Ganda-Muito-Obrigado
m'A

Irmãos de Sangue 

O Pedro faz um reparo...:
«A "suprema matriarca portucalense" era a D. Teresa... D. Urraca era a irmã, ou seja, a tia de um tal D. Afonso Henriques...»
Tem toda a razão.
A pergunta, no entanto, mantém-se:
Será que o Pedro Jordão é irmão de Muammar Kadafi pela via directa de D.Quixote?
Será que LAC é irmão de Lutz; ambos descendência do Imperador Marco António?
m'A

Somos todos irmãos. Aleluia! 

Parece que algum prodigioso genealogista chegou à conclusão que George W.Bush (este do Dabliu e não o Sr.-Seu-Pai) é descendente directo da nossa querida D.Urraca (ouviram bem! é querida e chama-se Urraca), a suprema matriarca portucalense.
Ao Excelentíssimo Sr.Genecologista, gostaria eu de lhe acrescentar uns sucintos cálculos. Sempre por defeito, para que não se critique a pretensa falsidade do meu discurso. Aqui vai:
A cada 20-30 anos se cria uma nova geração. Estableçamos 25 anos.
D.Urraca viveu e procriou no séc XII, o que prefaz até hoje 9 séculos. Estableçamos 900anos.
900 a dividir por 25 resulta em 36 gerações.
Cada geração, em média, digamos que gera 2-3 filhos. Estableçamos 2,5 filhos.
A enunciação desta equação é fácil, na forma de 2,5 elevado a 36 o que é exactamente igual a
Duzentos e onze triliões, setecentos e cinquenta e oito biliões, duzentos e trinta e seis milhões, oitocentos e catorze mil.
Tantos quantos os descendentes directos da digníssima D.Urraca...

pelos mesmos cálculos, quero desde já encorajar o próximo filantropo que descubra a relação directa de D.Urraca com Sadam Hussein para que cheguemos à brilhante conclusão que tudo não passa afinal de uma briga de irmãos.
Afinal, Jesus tinha razão....
...quem diria....
m'A
Permita-me o Picuinhas esta transcrição:
A fidelidade como defeito Miguel Poiares Maduro assina no DN um artigo notável sobre a fidelidade como (má) alternativa ao mérito. Uma das melhores análises da sociedade portuguesa que tenho lido:
Em Portugal, temos preferido a fidelidade ao mérito. Claro que todos criticamos a corrupção, o nepotismo e fenómenos semelhantes na preferência dada a alguns em detrimento de outros que consideramos mais capazes e competentes. Mas, na verdade, esses fenómenos são apenas a faceta mais extrema da lógica predominante na nossa sociedade e que intuitivamente aceitamos e vemos constantemente reproduzida nas nossas instituições: a preferência pelos nossos em detrimento dos outros. Na Universidade dá-se preferência «aos nossos doutorados». Na administração publica, «aos nossos colegas». Nas empresas, «aos que cá trabalham».
[...]
A fidelidade é um dever que, em algumas circunstâncias, temos para com alguns. O mérito é um reconhecimento que devemos a todos.

fumar uma bloga 

Não sei se será o Sapo
ou se será o Blogspot
se sou Eu
ou o filho de Zebedeu
A verdade, é que blogar está mais difícil que fumar a puta de um charro e nem quero acreditar que depois de todas as peripécias dos ultimos dias, estou mesmo a conseguir escrever esta merda.
m'A

2.2.04

Open Space 

O Pedro Mexia quer-nos acrescentar umas coisas e diz depois que afinal já não quer:
«OS MALEFÍCIOS DO OPEN SPACE: Cá por coisas, prometi a algumas pessoas, no jornal, que escreveria um post sobre os malefícios do «open space». Já escrevi o título. Já anunciei o tema. Mas o post, percebem com certeza, não o vou escrever.»
Agora já não dá! Vai ter mesmo de escrever porque já temos o osso na boca e não o largamos enquanto não o roermos. Força nisso! Queremos saber desses malefícios. Prometo que posteriormente acrescentarei a minha opinião
m'A

Vitor Figueiredo (1929-2004) - O Perfil do Homem. O pretexto da Arquitectura 

Tem-se dito que as circunstâncias e o lugar podem marcar como definitivamente ireconhecíveis arquitecturas apostadas em ser independentes deles, ou como autónomas outras aparentemente apostadas em amarrar-se aos sítios. Talvez isto explique como, aqui, empresários, operários, políticos, nós e a incapacidade criativa de copiar que nos caracteriza, tenham conseguido aportuguesar a nossa curta aventura internacionalista dos anos 20-30, e, curiosamente, tenha adquirido foros de internacional a mais apostadamente "regional” das nossas produções arquitectas, a da Escola do Porto, onde quer que vá sendo feita.
Sirva isto de abertura à exploração, necessariamente breve, do aspecto da obra de Vítor Figueiredo que considero mais interessante: o seu prazer de se perguntar, interrogando-nos, como devemos pensar, ou jogar o nosso pensamento se nos acontecer ser arquitectos. E, cumulativamente, o seu gozo pelo jogo de uma arquitectura que se faz conversando, muito mais sobre os juízos que vamos formando sobre as coisas do que sobre as coisas em si.

Mas, para que essa exploração se faça com uma visão clara, teremos de requalificar o modo como, por herança do Movimento Moderno, nos habituámos a ver a construção de habitações colectivas, em geral, e a de habitações subsidiadas ou sociais, em particular. A propósito, bastará lembrar que, em 1929, ao organizarem no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque a primeira exposição dedicada ao Estilo Internacional, Philip Johnson e Hithcock remeteram aquelas arquitecturas para uma secção à parte, e que, em 1991, embora de outra forma, este pôr à margem da habitação colectiva influenciou ainda a arrumação das exposições de Serralves e da Europália.
Subliminarmente, a assumpção desta autonomia confere à arquitectura social um estatuto de menoridade, a que só escapam parcialmente os projectos daqueles arquitectos que, apesar dos padrões de custo e de área baixíssimos que a sugeitam, a conseguem reabilitar à custa da conquista de uma qualquer mais valia, uma qualidade, um supérfluo. A este processo de reabilitação parece ser alheio saber se as referidas conquistas se instituem simultaneamente como esperança de quem habita e como boa consciência de quem aloja. Este lugar à parte da arquitectura "dita social", que Vítor Figueiredo sempre regeitou, cega-nos para antever a possibilidade de virmos a incorporá-la ou a integrá-la no quadro geral de um pensar arquitectónico. Isto é, uma vez instituído, um funcionalismo estrito - o dos programas – impede a exploração de um funcionalismo outro, apoiado num conjunto de funçõs menos precisas; culturais, sociológicas, antropológicas.
Este funcionalismo outro que atribuo ao trabalho de Vítor Figueiredo, apoiando-se no seu modo muito próprio de interrogar as cirunstâncias e os lugares está na origem das diferenças de imagem dos seus projectos e obras. Previsivelmente, este modo de pensar circunstâncias e lugares, sempre em mudança, não conduz nem a um estilo formalmente reconhecível na obra do próprio autor nem a um modo de operar normativo e normalizado.
O exercício da arquitectura é para Vítor Figueiredo uma forma incessante de questionar o mundo: questionar as formas de habitar, questionar as modas, questionar a instituição da arquitectura, questionar o sentido e o valor das celebrações do espaço.
Assim, quando a alguém se puzer o problema de traçar as influências do trabalho do Vítor Figueiredo sobre as últimas décadas da arquitectura Lisboeta não deverá procurar semelhanças formais na esperança de descobrir as regras de um estilo. Terá porventura mais êxito, mais gozo e mais trabalho se, para cada "hipótese de influência", analisar a forma como as obras ou os projectos em causa se colocam no lugar e no tempo, e assim os interrogam. Isto sem perder nunca de vista que se os exercícios de pensar que Vitor Figueiredo nos propõe se constróem muito à custa do diálogo, ou, melhor, da conversa, incorporando, por essa via, os esforços e saberes daqueles que neles forem tomando parte. Assim, ainda que isso vá ao arrepio do que conviria neste mundo de consumo cada vez mais rápido, seria incorrecto atribuir o estatuto de imagem de marca facilmente identificável a quaisquer recorrências formais que possamos encontrar nos projectos ou nas obras de Vítor Figueiredo.
Do jogo daquelas recorrências ficar-nos-á muito mais uma lembrança imprecisa, do que o reconhecimento que nós permitiria reproduzi-lo.
Como me parece evidente, certas interrogações; ou interpelações, têm cabiemnto em níveis, escalas e tempos de projecto diferentes.
As transparências / reflexo que encontramos na Caixa Geral de Depósitos do Lumiar ou em Cheias põem em compresença o mesmo, os espaços projectados que se vêem e se referem mutuamente, e o resto, a cidade.
Apetece-me inventar uma unidade estrutural na base questionante que gera esta arquitectura. Tal como em Peniche, 15 anos antes, parece pôr-se aqui outra vez - já não a mesma - questão dos modelos que devem ser usados em cada momento e em cada caso, agências 'bancárias ou habitação social.
Quando os bancos, agências, começavam a parecer-se com mercearias, inócuos, anónimos, banais, apeteceria que alguém se propuzesse criar espaços menos utilitários, onde nos pudéssemos sentir mais nós-mesmos, capazes de pensar a nossa relação com o poder cada vez mais abstracto do dinheiro, cuja banalização nos poderá pôr em risco, qualquer que seja o ponto de vista, a favor ou contra uma sociedade de mercado. Foi isto que fez Vítor Figueiredo na sua agência da C.G.D. Lugar de culto? Sim, se por isso se entender qualquer celebração que nos permita passear em nós.
Numa altura em que a atitude dominante parecia ser a de pensar que se deveria oferecer aos pobres espaços muito ricos visualmente, Vítor Figueiredo, propondo para Cheias construções tão anónimas quanto aquelas que, em Lisboa, se faziam para os mais abastados, interpela-se e interpela-nos sobre os mecanismos da arquitectura enquanto marcador social. Isto enquanto nos desafia com um imenso trabalho propor uma grande arquitectura de quase nadas, os vincos, as faixas, o dimensionamento das aberturas, a relação entre os cinco blocos, ou "dedos".
Estará o jogo de intenções acima apontado na origem da enorme emoção que estas obras ainda hoje me dão?
Como é óbvio, qualquer resposta tenderia a fechar aquele mesmo jogo e, por isso, tornar-se-ia, por si, irrelevante.
Para Vítor Figueiredo a arquitectura não foi, não é, o suporte eleito para registar ou transmitir pensamento. Constitui tão só o suporte mais acessível, ou mais disponível, a pretexto de um trabalho que tem de ser feito, materializado. Deliberadamente, foge, ou procura fugir, da superfície, da imagem e do seu valor abstracto — a partir do séc. XIX, cada vez mais evanescentes e valiosos — para apostar no jogo das coisas. A fruição dos espaços que projecta vale mais 'do que as suas primeiras imagens, ou do que as fotografias de obra acabada mas, ainda, não habitada.
Sem ignorar que existe hoje uma tendência para valorizar os simulacros acima de todas as coisas, Vítor Figueiredo propõe-nos que continuemos a colocar os jogos dos objectos e os da sua fruição, os dos projectos ou os das palavras, acima dos objectos em si mesmos ou da sua fruição pontual, acima dos projectos e das palavras considerados isoladamente.
Duarte Cabral de Mello

1.2.04

Vitor Figueiredo (1929-2004) 

Hoje soube.
Aconteceu ontem.
Vitor Figueiredo morreu.

Pela mão e pela contagiante amizade de Manuel Vicente, conheci este velho.
Forte, rude, cru, belo, mágico são poucos dos muitos adjectivos que lhe assentam.
Vitor Figueiredo era um arquitecto daqueles que há agora pouco; daqueles que vão agora assistindo conformados à construção de um mundo que não desejam e contra o qual, com o peso da verdade e da acção sempre pretenderam combater.
Não existe segunda oportunidade para criar uma primeira impressão e esse seria, provavelmente, o seu tendão de Aquiles. Contra tudo ou contra todos, sempre o vi apresentar-se destemido, convicto e profundamente apaixonado; entre amigos, assembleias, conferências, colóquios e demais encontros, Vitor Figueiredo entrava a matar; Não porque desejasse a morte de alguém mas porque, genuinamente, era esse o seu sedutor estilo. Com esse mesmo estilo semeou as suas amizades e colheu as tempestades de tantos, muitos, que nunca souberam reconhecer por detrás desse estilo o homem incrível que se escondia.

Vitor Figueiredo era um velho.
E imagino que sempre o haja sido.
Refilava, praguejava, insurgia-se, revela-se, pronunciava-se, exaltava-se, combatia.
Utilizava com mestria sem parelha a ironia, a sátira e a provocação.
No estilo, na presença, na vontade, na volúpia e sobretudo na paixão a que sempre se entregou a este mágico universo da arquitectura, Vitor Figueiredo foi, é, e sempre será uma das mais sólidas referências a cada um destes GANGsters.

Fica para muito breve, agendado aqui uma mais longa referência a este inolvidável homem.
Hoje, fica apenas a minha homenagem a um homem de valores, nem sempre bem entendido por um mundo de interesses e não meramente de paixões.
Aos que com ele conviveram, aos que agora soltarão lágrimas pelas razões que eu mal expresso em palavras, aos que acreditam que um outro –e melhor- mundo será sempre possível, aos que como Ele acreditam na verdade antes de tudo o mais, ao maior –e melhor- amigo deste GANG, o Professor Manuel Vicente, a eles todos, um forte abraço e a minha mais sentida tristeza.
m'A

Gruagh, Gruagh 

Ao fim de 6 longos e traumatizantes anos, fui cliente da Netcabo. Salvaguardada pela falta de concorrência que tinha quando se iniciou, nunca tive grande alternativa se não a de, consecutiva e provocatoriamente sofrer as faltas de respeito e profissionalismo de que a Netcabo é, em Portugal uma das mais prestigiosas persecutoras.
Em Janeiro, farto, fodido, e absolutamente desesperado, troquei de servidor.
A partir de hoje sou mais um SapoADSL!
Valha-me Deus nesta nova aventura porque para já pareço uma criança pequena com o brinquedo novo que todos os colegas já tinham. Tou maravilhado.
Agora só falta trocar o Blogspot (que mais uma vez hoje se resolveu de pifar) pelo Blogs.no.Sapo.
Bendito Batráqueo!
m'A

dias cinzentos... 

...como este fazem-me acreditar que nao estou por cá!
fico um pouco desorientada sem saber bem o que quero fazer.
saí à rua...a neblina pintava as ruas com uma frieza que me chegava aos ossos e isso incomodou-me!
... desorientada voltei a casa!
e despedi-me de ti! preferia não o ter feito...mas só agora me apercebi!
preferia ter passado um dia cinzento como este enrolada nos teus braços, descontraída, sem pressa, como há muito não fazemos...
mCC

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